Maternidade obrigatória: por que as meninas são criadas para serem mães?

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Ser mulher é ser criada pela sociedade para se tornar mãe um dia. É ter o quarto cheio de bonecas, cozinha de brinquedo, vassoura e rodo do tamanho da criança para que ela cresça aprendendo a ter habilidades para cuidar de uma casa. As meninas brincam de casinha, os meninos brincam do que eles quiserem.

Quando uma mulher tem filho, ela fica com o maior peso sobre os cuidados e educação das crianças, ela abre mão de sua carreira e se algo der errado, é claro que a culpa é dela. Um pai presente que cuida dos filhos é chamado de “paizão” e a mãe não faz mais do que sua obrigação. O machismo está enraizado na sociedade de uma forma que supervaloriza um pai que cumpre suas obrigações como tal e que menospreza uma mãe solteira que da tudo de si para criar o filho.

Dizem que a mulher só se torna mulher mesmo depois de ter filhos. E se ela opta por não ter, é taxada de fria, seca, egoísta, incompleta. O homem quando opta por não ter filhos é taxado de livre e desapegado. A maternidade é obrigatória, mas a paternidade é facultativa. A sociedade condena as mulheres que escolhem não ter filhos, mas tolera homens que, mesmo tendo filhos, escolhem não serem pais.

Ter um órgão reprodutivo não quer dizer ter obrigação de reproduzir. Cada pessoa, seja homem ou mulher, deve ter o direito de escolha. Se você deseja ter filhos, ótimo. Se você não deseja ter filhos, ótimo também. O problema está em querer empurrar goela abaixo uma vontade que é só sua. Temos o livre arbítrio de fazer o que julgamos ser melhor pra gente. Uns casam, uns estudam, uns viajam, uns tem filhos, outros tem animais de estimação, outros adotam, outros engravidam. E essa decisão é tomada por cada pessoal individualmente sem necessidade de opinião alheia.

Ninguém deixa de ser mulher por não ter filhos. Ninguém deixa de ser completo se não casar. Ninguém deixa de ser livre se tiver filhos e casar. Precisamos nos livrar dos pensamentos antigos e retrógrados. Hoje, a mulher tem autonomia para decidir seu futuro e os métodos contraceptivos são umas de suas conquistas que ajudam a escolher o momento de ter filhos ou de não tê-los. Ser mãe não é da natureza da mulher. As pessoas são diferentes e a maternidade não é um instinto biológico que vem junto com o útero como se fosse um “kit mãe”.

Ser mãe não é destino de toda mulher, mesmo ela tendo características biológicas pra isso. Abrir mão da maternidade imposta é um direito delas e não questão de egoísmo.  Ter filhos ou não e até mesmo escolher quantos filhos ter, é uma decisão da mulher que deve ser respeitada. Isso é uma questão de liberdade. Seu corpo, suas regras.

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